Retratos de Ninguém

Retratos de Ninguém é uma instalação interativa que cria caras de pessoas que não existem na realidade.

Esta instalação, idealizada especificamente para a terceira edição do prémio Sonae Media Art, insere-se num projeto de investigação mais abrangente no domínio da criatividade computacional e inteligência artificial, que tem por objetivo explorar as fronteiras entre o natural e o artificial.

Figure 1

Maqueta 3D da instalação com projeções em duas paredes e módulo para fotografar as caras dos visitantes fixado na parede do fundo.

Figure 2

Maqueta 3D da instalação mostrando um visitante a contemplar as caras exibidas pela instalação.

A instalação consiste num sistema de inteligência artificial que (i) captura e retém em memória as caras de todas as pessoas que interagiram com a instalação e (ii) recombina as características faciais das caras memorizadas, criando novas caras realistas, mas diferentes das originais.

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Exemplos de caras exibidas pela instalação. Consegue identificar as caras verdadeiras e as caras falsas?

Este tipo de sistemas, que inventam e manipulam informação como imagem, vídeo, som ou texto de forma automática e convincente, tem implicações no mundo real, onde podemos encontrar cada vez mais “factos alternativos” e “fake news” para fins de propaganda e influência. Esta instalação acompanha esta tendência levando os visitantes a pensar que o que estão a ver é real. Assim, procuramos proporcionar uma experiência onde se é difícil distinguir o verdadeiro do falso, o real do imaginário, as caras reais das caras inventadas.

O processo de criação de novas caras acontece diante dos olhos dos visitantes, em tempo real. Cada nova interação do visitante influencia de imediato as caras que vão sendo inventadas e exibidas. O conjunto de caras que é exibido num dado momento pode ser uma combinação aleatória de caras verdadeiras e artificiais. Isto leva os visitantes a questionar a autenticidade de cada cara que lhes é mostrada. Em alguns casos, as caras inventadas tornam-se peculiares e estranhas devido a, por exemplo, a combinação de partes de caras muito diferentes. A diversidade das caras artificiais aumenta progressivamente com a interação de mais pessoas.

Figure 4

Mais exemplos de caras exibidas pela instalação.

Em termos de hardware, a instalação consiste num computador ligado a (i) uma câmara de vídeo, para fotografar a cara das pessoas, e (ii) um conjunto de projetores de vídeo, ou monitores, para mostrar as caras que vão sendo inventadas pelo sistema computacional.

Figure 5

Maqueta 3D da instalação mostrando o módulo para fotografar as caras dos visitantes que se aproximam e primem o botão.

A interação com a instalação é simples. Primeiro, o visitante aproxima-se do módulo de captura, que contém a câmara de vídeo, e carrega no botão para fotografar a sua cara. De seguida, o visitante vê nas projeções ou monitores novas caras que são inventadas no momento pelo sistema computacional. Estas utilizam partes da sua cara misturadas com partes das caras das pessoas que interagiram anteriormente.

Em termos de software, a instalação utiliza inteligência artificial para detetar as caras e as respetivas partes, e algoritmos de visão computacional e computação gráfica para criar as novas caras. O processo de criação de uma nova cara é explicado na figura abaixo.

Figure 6

Passos para criar uma nova cara:
1. detectar e captar caras dos visitantes;
2. calcular conjunto de pontos-chave das caras;
3. calcular triangulação de Delaunay para os pontos-chave;
4. corresponder triângulos entre as caras;
5. deformar (os triângulos das) caras de modo a alinhar com a cara base;
6. demarcar as partes das caras;
7. juntar as partes das diferentes caras para criar nova cara.

Ao contrário de abordagens existentes que criam caras artificiais com base num demorado processo computacional sobre grandes bases de dados construídas a priori, esta instalação utiliza diretamente as características faciais dos visitantes que interagem com a instalação.